A sociedade civil manifestou, em Pemba, a sua insatisfação face à alegada violação dos direitos das crianças afectadas pelo conflito armado em Cabo Delgado.
Durante uma conferência de imprensa concedida a jornalistas, na passada
segunda-feira (02), as organizações apresentaram um documento com 12
recomendações destinadas a reforçar a protecção das crianças na província.
Entre as principais preocupações destacadas está a não isenção do pagamento do
registo de nascimento e das matrículas nas escolas públicas.
Mirna Chitsungo, representante do Fundo para o Desenvolvimento da
Comunidade (FDC), lamentou que, apesar da situação delicada provocada pelos
ataques terroristas, muitas famílias continuem obrigadas a pagar taxas
consideradas elevadas. Segundo a responsável, grande parte das famílias
encontra-se em situação de vulnerabilidade, o que limita a capacidade de
custear serviços básicos, incluindo as matrículas escolares.
Durante a sessão de perguntas e respostas, Marta Licuco, da Associação
DJUMULA, criticou o facto de as matrículas serem geridas directamente pelas
direcções das escolas, considerando que tal prática pode abrir espaço para
actos de corrupção.
A sociedade civil sublinhou que o documento, assinado por 116
organizações de todo o país, será remetido ao Governo provincial e ao Governo
central, com o objectivo de assegurar a adopção de medidas concretas para
proteger e salvaguardar os interesses das crianças de Cabo Delgado.
Entre as recomendações apresentadas constam: a implementação de
estratégias eficazes para pôr fim à insurgência armada; o reforço do orçamento
destinado às crianças em contexto de conflito; a adopção de medidas mais
rigorosas para responsabilizar os perpetradores de abuso sexual e uniões
prematuras; e a isenção do pagamento de registos de nascimento e matrículas
escolares.
Apesar das exigências apresentadas pela sociedade civil, algumas
famílias continuam impedidas de matricular os seus educandos devido às taxas
consideradas elevadas, situação que poderá deixar um número considerável de
alunos fora da escola no presente ano lectivo.




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